sábado, 28 de novembro de 2009
tenho comigo as lembranças do que eu era..."
(Milton Nascimento)
quarta-feira, 8 de julho de 2009
...
sexta-feira, 3 de julho de 2009
TARDE QUALQUER
PORTO ALEGRE, MAIS AMORES
meu Porto de alegria infinita
chão dos meus primeiros passos
não importa por onde passe
cheio de Porto está meu caminhar
céu do azul mais bonito
sol que se põe no infinito
a cidade mais colorida
onde ouço a melodia mais linda
em Porto Alegre minha vida tem mais vida.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
REFLEXÕES DO ÓCIO
quarta-feira, 3 de junho de 2009
SAUDADES DE CASA...
UMA CERTA CANDINHA
não se escondia no casco
nem caminhava lentamente
ia pro mundo aflita, ligeira, inteligente
era inquieta como gota d'água em frigideira quente
não se comunicava mais por falta de palavras
mas falava muito com o corpo como um bom mímico pretende
podia até não agradar a todos com seu jeito excêntrico, efervescente
mas foi uma grande companheira
parecia sentir tudo como a gente sente.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
OLHA SÓ
veja bem como tudo ficou
apostei tudo o que tinha em vencer
e nada pra perder foi o que sobrou
agora vivo triste
reconheço que acabou
acabou a beleza e a cor
as vontades, a fé, o amor
de uma vez só foi que o vento levou
a esperança de renascer em flor
olha só o que aconteceu
veja bem como tudo ficou
um rascunho de tudo o que fui
é exatamente o que hoje sou.
sábado, 16 de maio de 2009
A MESA
Quantas histórias ouvem as mesas. Quantas barbaridades. Mesas de bar, mesas de restaurante, mesas de escritório, e por aí vai. Para onde irão as mesas que não servem mais? Quanta falta deverão sentir do local onde passaram quase toda a vida. Quanta falta sentirão de seus companheiros. Castiçais, talheres, toalhas, cadeiras, enfim. Um cruel destino. Ser arrancada de um lugar sem nem mesmo ter a chance de expressar a própria vontade. Sofrer modificações na aparência sem a sua prévia autorização.
Mas falemos sobre a minha mesa em especial. Aquela que estava bem à minha frente e que quase falava comigo. Ela não parecia ter estado sempre ali. Tinha ares de mesa vivida, experiente. Calejada pelo tempo. Demonstrava claros sinais de cansaço, mas nem por isso deixava de ser mesa. Ali estava, firme e forte. Cumprindo exemplarmente a sua função de segurar tudo o que colocam sobre seus ombros e ainda guardar os grandes segredos da humanidade. E ali permaneceu, mesmo quando tive que ir embora. Imóvel, fingindo frieza e pretendendo ser forte diante de mais uma entre tantas despedidas. Olhei para ela uma última vez, esperando alguma reação que pudesse me fazer ficar. Mas ela manteve a pose, como toda a boa mesa.
Deixei o recinto. A mesa ficou. Não pude saber do seu segredo. Mas ela certamente adicionou alguns à sua coleção, durante o tempo em que ali estive. E eu sei, morrerão guardados a sete chaves.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
REFLEXÕES DE VÔO
MÁQUINA FOTOGRÁFICA
BREVE COMENTÁRIO
O MUNDO EM VOLTA
Presto atenção também à agitação e à correria das pessoas, dos carros, das cidades. Se passarmos algum tempo olhando uma rua movimentada, logo surgirão muitas perguntas. Para onde vão essas pessoas? O que sonham? O que buscam? Por que correm? E veremos também que cada uma parece ignorar a existência da outra.
Eu ando por aí prestando atenção em bichos. Cachorros, gatos, passaros. Os mosquitos são muito divertidos de se observar. Principalmente se houver um gato correndo atrás deles. Teias de aranha são incríveis e fascinantes. E há algo surpreendente na presença de pequenos macaquinhos em meio a uma grande cidade.
Delicioso observar o mar. As cachoeiras com sua água ritmadamente constante. Vôos de asa-delta são hipnotizantes de se ver. Ainda vou fazer um.
ESCOLHA
o sol sempre vai chegar
a escola da vida não pede licença
entra de sola sem sequer dizer olá
o único jeito é enfrentar
cola no teu destino
e sábio colha sem desatino
o resultado de toda a renúncia
inerente a cada escolha
não recue, nem se assuste
pois é longo o caminhar
e nele é certo, em algum momento
encontrar eco em um olhar
dividir o peso da vida
nos ajuda a carregar
tudo aquilo que queremos
e precisamos buscar
embriagar-se de existência neste mundo como está
é sentir-se muito só
tem um gosto bem mais amargo do que se possa imaginar
não espere um doce licor
nem a suavidade de uma xícara de chá.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
O QUE
"O que que eu estou procurando
No vago aflita olhando
De canto em canto buscando
O que
De noite a lua assiste
Que eu fico ainda mais triste
E saio pra rua andando
Procurando mas o que
Talvez se um dia eu achasse
O mundo depressa tirasse
E eu não conseguisse nem ver
Mas o que
Que eu estou procurando
No vago aflita olhando
De canto em canto buscando
O que?"
sexta-feira, 8 de maio de 2009
DA JANELA DE UM ÔNIBUS...
poesia
muita pressa, correria
e até esportes radicais
vejo amor entre pessoas
vejo crianças
pássaros
árvores
vejo também lindos casais
da janela do ônibus vejo o mundo e sua beleza
tudo aquilo que nem sempre se vê mais
DESEJO A VOCÊ...
uma mão para apertar na dor
um bom banho de chuva
cachoeira bem gelada
ser a musa inspiradora de uma linda serenata.
CARTA
VENTANIA
agita-se logo o meu peito e esqueço o que dizia.
Amor, dor, medo, calmaria.
Por que a simplicidade de escrever insiste sempre em se perder em meio às minhas melodias?
O que sou, o que fui, o que quero, o que devia.
É tudo parte de um mesmo desejo,
o que provoca a ventania.
DESDOBRAMENTOS
O meu aro está meio caro.
A cola cala e eu não ri.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
EVOLUÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 2009
SOBRE AS RELAÇÕES NA CONTEMPORANEIDADE
"[...] É a coragem de se relacionar com os outros seres humanos, a capacidade de arriscar o próprio eu, na esperança de atingir uma intimidade significativa. É a coragem de investir o eu, por certo tempo, num relacionamento que exigirá uma entrega cada vez maior.
A intimidade requer coragem porque o risco é inevitável. [...]
Uma atitude comum nos nossos dias consiste em fugir à responsabilidade de estruturar a coragem necessária para um relacionamento autêntico, deslocando o centro da questão para o corpo, transformando-o num caso de coragem física. Em nossa sociedade, é mais fácil desnudar o corpo do que a mente ou o espírito; mais fácil compartilhar o corpo do que as fantasias, desejos, aspirações e temores, pois estes são assuntos privados, cuja revelação nos torna mais vulneráveis. Por estranhas razões, envergonhamo-nos de compartilhar o que realmente importa. [...]
[...] A coragem social autêntica requer intimidade simultânea nos vários níveis da personalidade. Só assim é possível vencer a alienação do indivíduo. Fazer novos conhecimentos provoca sempre alguma ansiedade, aliada ao prazer da expectativa, e à medida que o relacionamento se aprofunda cada descoberta é marcada por novo prazer e por uma nova ansiedade. Cada encontro pode ser o precursor de algo novo em nosso destino, bem como um estímulo na direção do prazer excitante de realmente conhecer alguém.
A coragem social exige o confronto de duas espécies de temor.
[...] 'medo da vida'. É o medo de viver por si mesmo, o medo de ser abandonado, a necessidade de depender de alguém.
[...] 'medo da morte'. É o medo de ser completamente absorvido pela outra pessoa, o medo de perder a identidade e a autonomia, medo de que lhe roubem a independência.
[...] Oscilamos entre os dois medos durante toda a vida. São, na verdade, as formas de ansiedade reservadas a todos que, de alguma forma, se preocupam com alguém. Contudo, para se realizar, o indivíduo precisa enfrentar esses temores, e ter consciência de que, para crescer, não basta sermos nós mesmos, mas é preciso participar da individualidade de outros."
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Em sua definição para "coragem social", Rollo May resume muito bem a dinâmica de uma das questões que ocupam o centro de minhas maiores ansiedades e inquietações diante da sociedade atual, e que pode ser aplicada aos mais diversos tipos de relação. Cada vez mais percebo o quanto as pessoas vêm se tornando incapazes de exercitar a empatia, o desprendimento em suas relações cotidianas. Como tem sido difícil encontrar pessoas dispostas a se desarmar umas diante das outras. Impera a lei do imediatismo e do menor esforço. Tudo se torna tão banal, raso e superficial que chega a relativizar o que entendemos por relação, seja ela qual for.
Pessoas matando umas às outras. Pessoas querendo 'engolir', 'atropelar' umas às outras. Levar a melhor à custa de outras. Aproveitando-se umas das outras. Tantas coisas que vemos com os nossos próprios olhos. Tantas que ouvimos e lemos por aí. Calar também é uma forma de participar dessa ausência de humanidade. Resignar-se diante dos acontecimentos nada mais é do que tornar-se cúmplice deles.
O que está no centro de toda essa questão é, pura e simplesmente, a capacidade de amar. É a falta dela que faz com que deixemos de nos importar. No final de tudo é isso que faz desmoronar o nosso castelo. Sem amor as pessoas se perdem de sua essência. Sem a capacidade de se sensibilizar com o outro, com o que é humano, com o que é da natureza, acabamos por nos transformar em seres estranhos, robóticos, programados para alcançar nossos objetivos custe o que custar. E é assim que nos perdemos de nós mesmos e nos vemos reaprendendo, nas coisas mais simples e primitivas, a sermos humanos novamente. Pois, não raro, vemos os animais dando um banho de coragem social nos chamados seres civilizados e racionais.
Dessa forma, na eterna busca em que vivemos, tornamo-nos cada dia mais incompletos, vazios e solitários. Esquecemos de ouvir os nossos próprios sentimentos e por isso não ouvimos o outro. Todos saímos perdendo com essa falta de amor generalizada e não há melhor meio para reverter essa situação do que fazendo a nossa parte. De nada adiantam nomes, definições e uma ampla consciência sobre os problemas, se não pudermos exercitar nas nossas relações aquilo que acreditamos ser o caminho para uma transformação. A humanidade carece de corações abertos. Experimente abrir o seu.
"All you need is love"
quarta-feira, 22 de abril de 2009
O MAPA
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
AS PALAVRAS ME FOGEM...
(Tom Jobim/Chico Buarque)
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez
Possa espantar as noites
Que eu não queria
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Eu não sou mais triste
E que a nova vida
Já vai chegar
E que a solidão
Vai se acabar
terça-feira, 21 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
ARQUIVOS DE PULGA - 5 DE JULHO DE 2007
Talvez seja só isso. Um eterno esperar.
Não se sabe bem o que, como é, de onde vem.
Não se sabe nem se existe.
Mas é tão bom quando se tem.
Eu não sei se é sempre assim. De repente é só pra mim.
Mas já basta a minha pressa, porque angústia igual a essa
eu não desejo a ninguém.
Acontece que acredito. Podem até achar esquisito.
Não me importo. Acho bonito.
Acredito e vou encontrar.
Busco, quero, procuro.
O tempo todo. Em todo lugar.
Pode ser que nem exista. Mas eu sigo, ergo a vista.
Ou difícil fica a vida,
pois quem sabe dela eu desista sem a ânsia de tentar.
E eu sigo obcecada. As borboletas ou a enrascada.
Não importa o tamanho da mancada,
eu preciso pra respirar.
Às vezes penso mesmo que é uma vez pra cada um.
E talvez nem todos achem. Eu não sei, mas há quem diga
que não é pra qualquer um.
O que interessa? Não sou mais um.
Posso e quero. Vou alcançar.
Louca! A mim mesma irrita. Escabela, chora, grita.
Assim mesmo. Acredita?
E tem mais, eu vou contar.
Estraçalho tudo por dentro pra ninguém se machucar.
Pode até ser sinal de autocrítica, mas é duro de acreditar.
Treme como abstinente.
É como chocolate na TPM. Pra grávida melancia com creme.
Quero muito, mas quero pra sempre. E com tudo o que tiver.
Pacote completo. Tudo em cima.
É comercial de margarina ou nada feito, pode levar!
Pois é, quem sabe é besteira. Desperdício de vida, perda de tempo, bobeira.
Falem! Fale o que puder.
Só não venha meter a colher.
Sou romântica, ria se quiser!
Quero amar até morrer.
Quero flores, paixão, prazer. E o que mais e mais vier.
Amor mesmo é aquele que mata.
Carta, beijo roubado, serenata.
Fique à vontade. Fale que sou chata. Mas ainda acho quem me diga. Saiba chorar e saiba viver.
Tudo bem à moda antiga. Pois felicidade (eu que o diga!) não vem sem amar, nem sem sofrer.
domingo, 19 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
SÓ MORRENDO PARA RENASCER
A tal frase reverberou muito em minha cabeça depois de assistir “Meu nome não é Johnny”. E o fato é que há um momento em que o citado olhar inteligente se torna inevitável. Seja ele catalisado por um lugar, por uma situação, por uma grande mudança ou mesmo pela estagnação. Há sempre um ponto de não retorno quando se trata de nossa busca por nós mesmos. Aquele exato segundo em que percebemos que já não podemos mais fechar os olhos.
Passamos a vida toda buscando por esses momentos de olhar inteligente. Afinal não é um só. Podem ser muitos, em diferentes fases da vida. No entanto, quando nos deparamos com grandes descobertas e revelações, invariavelmente, nos sentimos paralisados, estarrecidos. O desconhecido assusta. Principalmente quando esse desconhecido é parte da gente. Somos surpreendidos por revelações internas, porque no fundo esperamos sempre encontrar as respostas do lado de fora. E quando elas aparecem do lado de dentro tudo se torna assustador. Estamos acostumados a sair projetando por aí, esperando assim que isso nos abstenha de qualquer responsabilidade.
O que deixamos de perceber, muitas vezes, é que o grande lance dessa busca está em nós mesmos, desde o princípio. Nós já temos as respostas que tanto procuramos. E no fundo só nós as temos. Ninguém pode vivenciar o processo pelo outro. Essa busca é pessoal e intransferível. Uma das poucas coisas que ninguém pode nos tirar. É em momentos como esses que paramos para rever nossos conceitos, reavaliar nossas escolhas e, não raro, perceber que as coisas mais simples são exatamente as mais essenciais. O grandioso fica tão supérfluo quanto os desejos que nos levam a buscá-lo. Tantas coisas que vivemos e tantas que não vivemos e nos atordoam. Aquelas coisas que jamais saberemos como teriam sido e que, no fim de tudo, sempre vão existir. Para cada caminho escolhido haverá sempre um, ou vários, que deixamos de explorar. Há que se ter muita coragem para escolher. Desde o momento em que escolhemos acordar, até o momento em que escolhemos dormir para escolher novamente, a cada segundo de todos os dias seguintes.
Viver, de fato, não é fácil, e ninguém disse que seria. Haverá sempre um momento em que o desejo de que alguém apareça para dizer-nos exatamente o que fazer se tornará tão insuportável que nos obrigará a olhar para o espelho. Pois é exatamente aí que as perguntas são lançadas a nós mesmos. Partir ou ficar, manter a linha ou mudar completamente a direção? O mais desesperador e mágico de tudo isso é que só nós sabemos. E qualquer que seja a escolha, será sempre a escolha certa.
sábado, 4 de abril de 2009
ARQUIVOS DE PULGA - 11 DE OUTUBRO DE 2008
Mas é tão rápido. Tão fugás. Um instante menor que a fresta através da qual espio o mundo. É assim que o mundo me sabe. É assim que me sei diante do mundo. Só parcial e reduzidamente. Uma micropartícula do que o mundo é e do que sou. E é sempre assim que tudo chega até mim. E é só assim que sei chegar. Quando chego. Porque na maior parte das vezes não consigo. Entro e saio, passo por todos os lugares sem ter estado lá. As coisas passam por mim. Elas me atravessam. Mas não me percebem. Sou invisível aos olhos do mundo. Invisível aos olhos de tudo o que vejo.
Por isso, em certos dias, pergunto por que existo. Se não sou, por que existo? Se nada do que eu faça ou diga, muda, transforma ou contribui de alguma forma para qualquer coisa, por qual razão deveria eu continuar vivendo? Apenas para me ver sucumbindo em um abismo que eu mesma crio todos os dias quando acordo?
Eu queria que tudo fosse diferente. Queria, uma vez na vida, ser genial. Fazer algo que fosse digno de reconhecimento e admiração. Mas não consigo. Não posso lutar contra mim. Eu sou mais forte do que eu. E não importa quantos eus eu chame para me ajudar, eu continuo sendo mais forte.
Por vezes, muito rapidamente, distraio-me de mim mesma e vivo. E é só assim que consigo viver. Por distração. Quando tento viver de propósito não acontece nada.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
ARQUIVOS DE PULGA - TRECHO DE 4 DE OUTUBRO DE 2006 (EDIÇÃO ATUALIZADA)
ARQUIVOS DE PULGA - 18 DE SETEMBRO DE 2006
ter alguém que não se quer
querer alguém que não se tem
são as regras do amor
só as sabe quem o tem
regras bagunçadas
pesos sem medidas
querer quem não nos quer
é viver eterna partida
mas ter o amor no peito
não depende de ninguém
é nosso direito
amar...
não importa quem
só que assim sempre incompleta
vive sempre em sofrimento
quem ama e nunca acerta
quer alguém pra ficar junto
amar sozinho é um tormento
ter um amor aqui dentro
e não ter a quem amar
de que vale um sentimento
que não se pode demonstrar?
sábado, 28 de março de 2009
ARQUIVOS DE PULGA - 02 DE OUTUBRO DE 2007
Não tinha idéia do que estava por vir e decidi. Rumo a uma nova vida, lancei-me em uma aventura impulsiva, como nunca antes. Queria me sentir dona do meu nariz, da minha vida e do meu destino. Capaz de começar tudo do zero. Capaz de construir tudo sozinha.
Mas quando a gente chega a um lugar novo, desconhecido, tudo fica muito relativo. Pessoas estranhas, lugares diferentes. Um mundo de possibilidades. O novo é assustador. A solidão é assustadora. A solidão da eterna busca. A solidão eterna de tantas buscas.
De repente nos vemos tão invisivelmente microscópicos quanto realmente somos. Tudo fica insuportavelmente real e o sonho passa a ser a antiga realidade. Descobre-se que a realidade dos sonhos pode ser tão dura quanto a falta deles. Repentinamente a potencialização de tantas insignificâncias. Tudo passa a fazer sentido. Tudo passa a fazer parte de um mesmo sentido. Sentimo-nos parte de algo maior em pequenas partículas de tempo e ao mesmo tempo, na maior parte do tempo, parte de nada. O canto dos pássaros invade os nossos ouvidos. Não há esforço algum para perceber pequenas partes do infinito que nos cerca. Qualquer refrão vira trilha sonora e tudo se encaixa tão perfeitamente que faz perceber o desencaixe total em que nos vemos de repente.
É uma bagunça. Um caos. É movimento. É vida. É o movimento que gera a vida, que nos faz sentir vivos. O caos que torna tão necessária a formulação de novos objetivos, de novas estratégias. O fórceps de nossa essência. Sim. Pois no meio de tanta desordem e desencontro, encontramo-nos com nós mesmos. A preguiça da perfeição não acrescenta muito ao crescimento pessoal. A instabilidade, ao contrário, nos acorda para a vida e para quem realmente somos.
Fragilidade e força travam uma dura e diária batalha em busca da sobrevivência. Tanta coisa ganha importância, tanta coisa perde. E em meio a tamanha confusão interna é preciso buscar forças para seguir em frente. Eis a parte mais difícil desse processo. Seguir em frente, buscar objetivos, longe de tantas coisas importantes. Tudo fica tão pequeno e, não raro, me pergunto: será que é isso mesmo?
Tenho tudo e não tenho nada. As distâncias se relativizam e as necessidades também. Quero coisas que parecem impossíveis. Impossível conciliar. O que é mais importante afinal? Medo. Tantas decisões diante de tanta incerteza.
Sinto tanta saudade de um tempo em que nada disso passava pela minha cabeça. Quando não existiam preocupações desse tipo. A vida era só viver. E viver parecia mais simples. Acontece que em algum momento da história somos empurrados para fora do conto de fadas. O real nos engole. A simplicidade se perde.
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Sempre quis escrever um livro. Escrever sempre me fascinou. Mas nunca me julguei realmente capaz de fazê-lo. Nunca achei meus escritos suficientemente bons e sempre tive medo da crítica. Talvez por isso quase ninguém veja o que escrevo. Guardo tudo só pra mim. Não vejo nada de novo ali. Acho tudo redundante, chato, monótono e não quero importunar as pessoas nem fazê-las perder seu tempo. Acontece que de uns tempos pra cá, a vontade de expressar tudo que tenho vivido e já vivi vem se mostrando maior do que meus medos. Maior do que os terríveis monstros que habitam o abismo de minha mente.
Talvez as minhas histórias sejam realmente monótonas, chatas, redundantes. Talvez eu realmente não tenha nada a acrescentar no mundo nem na vida de ninguém. Mas o fato é que não posso mais negar essa força incontrolável que me leva sempre, e no final de tudo, a escrever.
Quem sabe se eu escrever, escrever e escrever... Se der vazão a tudo isso... Se praticar bastante... Quem sabe assim eu consiga fazer algo digno de ser lido por alguém além de mim. Enquanto não chego lá, vou registrando esse monte de bobagens e desabafos, dos quais apenas alguns fragmentos se aproximam do que poderia ser chamado de bom.
Comecei esse texto querendo contar de uma vez tudo o que tem se passado dentro de mim desde que resolvi cometer a maior loucura de minha vida, até então. Queria despejar tudo aqui, em um só fôlego. Mas há tanto a permear minhas histórias... minha vida. Difícil manter-se fiel a um único e limpo relato. Acho que não consigo. Quem sabe eu nem esteja preparada para tamanha e tão crua realidade em minhas palavras. Já que a realidade lá fora já me parece suficientemente esmagadora.
Pode ser que eu consiga escrever um livro se passar algumas páginas tentando escrever um. O livro da menina que sonhava em escrever um livro e nunca conseguiu. Passou o livro todo tentando. O livro da tentativa. Uma vida de tentativas. Eis aí um assunto sobre o qual posso dizer que tenho alguma propriedade para falar: tentativas. Foram tantas as tentativas que já fiz, nos mais variados aspectos da vida e eu não me canso.
Eis o que pode ser uma nova estratégia para escrever. O abandono de qualquer estratégia. Escrever livremente um monte de asneiras que não me faltam. Devanear. Associar livremente como se estivesse no consultório do terapeuta. Quem sabe assim eu consiga juntar os pequenos fragmentos que se aproximam do que poderia ser bom e fazer um livro que se aproxime do bom. Quem sabe se um fragmento de cada página não possa me levar ao tão sonhado livro. Quem sabe se escrever um livro sobre a angústia de querer escrever um e não conseguir não possa trazer a ajuda de que preciso, se é que preciso.
Ah! Loucura! Preciso abandonar essa loucura de achar que posso fazer arte. A loucura de querer fazer arte. Preciso encontrar algo mais simples. Preciso encontrar algo simples que me fascine tanto quanto as complexidades. Preciso tornar minha vida mais fácil. Aliviar o peso que eu mesma coloco sobre meus ombros. Mas simplesmente não posso.
ABOUT ME
Uma pulga fêmea consome por dia 15 vezes o próprio peso em sangue.
Não é incrível?
quinta-feira, 26 de março de 2009
VIVA PORTO ALEGRE!!!
especial...
o porto mais alegre
Porto que cativa, Porto que aconchega
Porto criativa
Porto que deseja
Porto de amor, de alegrias, dos amigos, dos casais
Porto de pessoas
Porto assim não se vê mais
Porto de família
Porto de humanidade
valores, tradições, conquistas
Porto Alegre é de verdade
é porto e é alegre
na medida da saudade.
Obrigada Porto Alegre.
FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
quarta-feira, 25 de março de 2009
SAUDADE
sinto falta do meu lar
tudo me falta tão intenso que chega a faltar o ar
o céu azul, as noites, a praça...
as mensagens no celular
sinto a falta do encontro
do abraço
do olhar
pois no fundo estão todos comigo
na terra, na água ou no ar
quando fecho os meus olhos
tenho todos bem mais perto do que possa imaginar
sei que um dia o meu mundo voltará ao seu lugar
enquanto isso... luto
pra esse dia chegar.
DE VOLTA AO PAPEL
Andei passando por um monstruoso bloqueio criativo e não é que eu não tenha mais prazer em escrever. É simplesmente que quando olho para o papel a minha cabeça fica tão branca quanto ele. Passei muitos anos escrevendo coisinhas sem ter muita coragem de mostrar. Só que agora não consigo nem mais escrever.
O fato realmente tem me incomodado. Uma ironia carregada de autoexigência e uma pitada de medo do julgamento (como se algum julgamento pudesse ser pior que o meu). Mas como fugir só alimenta o medo, melhor mesmo é enfrentar. Resolvi então me convencer de que a questão não passa de falta de exercício e por isso estou aqui.
quinta-feira, 12 de março de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
SUPERAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
(EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS/Marçal Aquino)
terça-feira, 5 de agosto de 2008
(UM ATOR ERRANTE/Yoshi Oida)
terça-feira, 10 de junho de 2008
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say but you can learn how the play the game
It's easy
There's nothing you can make that can't me made
No one you can save that can't be saved
Nothing you can do but you can learn how to be you in time
It's easy
(...)
There's nothing you can know that isn't known
Nothing you can see that isn't shown
Nowhere you can be that isn't where you're meant to be
It's easy
All you need is love..."
(ALL YOU NEED IS LOVE/Beatles)
quarta-feira, 4 de junho de 2008
(O CORPO TEM SUAS RAZÕES/Thérèse Bertherat)
sábado, 17 de maio de 2008
(UM SOPRO DE VIDA/Clarice Lispector)
domingo, 11 de maio de 2008
(A HORA DA ESTRELA/Clarice Lispector)
sábado, 10 de maio de 2008
(UM SOPRO DE VIDA/Clarice Lispector)
quinta-feira, 8 de maio de 2008
(BESTIÁRIO/CARTA A UMA SENHORITA EM PARIS/Júlio Cortázar)
quarta-feira, 7 de maio de 2008
(UM ATOR ERRANTE/Yoshi Oida)
segunda-feira, 5 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
Estava com saudades do frio.
(MEMÓRIAS, SONHOS, REFLEXÕES/Carl Gustav Jung)
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Espaço para tentar reunir alguns retalhos que tenho colecionado pela vida. Aquilo que gosto e que me faz pensar.



